Introdução
A revolta contra os valores vigentes faz com que a produção literária dessa época crie uma onda de pessimismo doentio diante do mundo, que manifesta-se no apego aos ambientes sombrios e decadentes, no vício, e na autodestruição através do álcool, do ópio, e de outras drogas. Acentuam dessa forma traços como o subjetivismo e o sentimentalismo, sondando as regiões desoladas da mente humana. Nesse cenário conturbado é que viveu um dos maiores representantes do Romantismo no Brasil.
Vida
Em 12 de setembro de 1831, nasce em São Paulo o filho de Inácio Manuel Álvares de Azevedo e de Maria Luísa Mota Azevedo. O nome dele é Manuel Antônio Álvares de Azevedo, Patrono da Cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de Coelho Neto. Alguns biógrafos alegam que ele tenha nascido na sala da biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo, porém a hipótese mais aceita é que tenha nascido na casa de seu avô materno.
No ano de 1833, muda-se com os pais para o Rio de Janeiro, onde fez o curso primário. Em 1835 morre seu irmão mais novo, Inácio Manuel, em Niterói, deixando o futuro poeta profundamente abalado. Em 1840, ingressa no colégio Stoll, onde destaca-se como excelente aluno. Seu desempenho rende elogios do proprietário do colégio, o Dr. Stoll: "Ele reúne, o que é muito raro, a maior inocência de costumes à mais vasta capacidade intelectual que já encontrei na América num menino da sua idade".
Cinco anos depois, entra para o internato Colégio Pedro II, onde foi aluno de Gonçalves de Magalhães, introdutor do Romantismo no Brasil. Ao contrário da maioria, nasceu em uma família rica e tradicional, e foi um dos poucos poetas que cresceu em condições plenamente favoráveis para seu desenvolvimento intelectual e cultural.
Em 1848 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, onde foi estudante aplicadíssimo e de cuja intensa vida literária participou ativamente, fundando, inclusive, a Revista Mensal da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano.
Entre seus contemporâneos, encontravam-se José Bonifácio (o Moço), Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, estes dois últimos suas maiores amizades em São Paulo, também poetas e célebres boêmios, prováveis membros da Sociedade Epicuréia. Sua participação nessa sociedade secreta, que promovia orgias famosas, tanto pela devassidão escandalosa quanto por seus aspectos mórbidos e satânicos, é negada por biógrafos respeitáveis. Mas a lenda em muito contribuiu para que se difundisse a sua imagem de "Byron Brasileiro".
A partir de 1851 o poeta passa a ter fixação pela idéia da morte. Isso fica claro nas cartas destinadas à mãe e à irmã.
Sofrendo de tuberculose, conclui o quarto ano de seu curso de Direito e vai passar férias no Rio de Janeiro. No entanto, ao passear a cavalo pelas ruas do Rio, sofre uma queda, que traz à tona um tumor na fossa ilíaca. Em 25 de Abril de 1852, aos 20 anos, morre Álvares de Azevedo, pronunciando, nos braços paternos, a última frase: "Que tragédia, meu pai!". Hoje está sepultado no Cemitério São João Batista, jazigo 12A, no Rio de Janeiro. Álvares de Azevedo deixou uma obra relativamente extensa, para quem viveu tão pouco.
Sofrendo de tuberculose, conclui o quarto ano de seu curso de Direito e vai passar férias no Rio de Janeiro. No entanto, ao passear a cavalo pelas ruas do Rio, sofre uma queda, que traz à tona um tumor na fossa ilíaca. Em 25 de Abril de 1852, aos 20 anos, morre Álvares de Azevedo, pronunciando, nos braços paternos, a última frase: "Que tragédia, meu pai!". Hoje está sepultado no Cemitério São João Batista, jazigo 12A, no Rio de Janeiro. Álvares de Azevedo deixou uma obra relativamente extensa, para quem viveu tão pouco.
Como quem anunciasse a própria morte, no mês anterior escrevera a última poesia sob o título “Se eu morresse amanhã”, que foi lida, no dia do seu enterro, por Joaquim Manuel de Macedo.
Obra
Álvares de Azevedo, representante brasileiro mais legítimo do mal-do-século, foi fortemente influenciado por Lord Byron, Heine e Musset, e ainda de Shakespeare, Dante e Goethe. Sua poesia é marcada pelo subjetivismo, melancolia e um forte sarcasmo. Os temas mais comuns são o desejo de amor e a busca pela morte. O amor é sempre idealizado, povoado por virgens misteriosas, que nunca se transformam em realidade, causando assim a dor e a frustração que são acalmadas pela presença da mãe e da irmã.
Já a busca pela morte tem o significado de fuga, o eu-lírico sente-se impotente frente ao mundo que lhe é apresentado e vê na morte a única maneira de libertação. De sua obra, toda ela publicada postumamente, destacam-se os contos do livro "Noite na Taverna" (1855), a peça de teatro "Macário" (1855) e o livro de poesias "Lira dos Vinte Anos" (1853).
Merece um destaque especial a "Lira dos Vinte Anos", composta de diversos poemas. A Lira é dividida em três partes, sendo a 1ª e a 3ª da Face Ariel e a 2ª da Face Caliban. A Face Ariel mostra um Álvares de Azevedo ingênuo, casto e inocente. Já a Face Caliban apresenta poemas irônicos e sarcásticos.
Toda a obra de Álvares de Azevedo foi realizada entre 1848 e 1852, durante o tempo em que frequentou a Faculdade de Direito de São Paulo e os poucos meses que viveu no Rio; escrita às pressas, com a preocupação de quem sente a morte aproximar-se e a única forma de agarrar-se à vida é escrever para a posteridade. É uma obra cheia de imperfeições e descuidos. Apesar de seu caráter ser essencialmente imaginativo e fantasioso, em sua obra sempre mantinha os pés em terra firme e é por essa razão que muitos críticos apontam na sua obra prenúncios de realismo.
Disse dele Edgard Cavalheiro: "Faltou-lhe para ser gênio, exclusivamente isto: tempo. Fez vibrar todas as cordas da lira, do mais ingênuo lirismo ao mais desabusado erotismo. É zombeteiro e irônico, alegre e triste, vibrante e meigo, sensual e pudico. Devemos-lhe a introdução do humor na poesia brasileira."

